Pablo Araya Santander
Muitos homens não dizem “estou ansioso”.
Dizem:
- “Minha cabeça não desliga.”
- “Estou sem paciência para nada.”
- “Preciso resolver tudo sozinho.”
- “Se eu parar, tudo desmorona.”
- “Não consigo aproveitar nem quando estou descansando.”
Por trás disso, frequentemente existe ansiedade.
A ansiedade masculina nem sempre aparece como medo.
Às vezes ela aparece como desempenho.
O homem continua trabalhando, produzindo, sustentando, resolvendo problemas e funcionando socialmente. Mas internamente vive em estado permanente de tensão. Como se estivesse sempre preparado para uma emergência que nunca termina.
Nessa fase da vida, muitos homens acumulam:
- pressão profissional;
- responsabilidades financeiras;
- cobranças familiares;
- medo de fracassar;
- sensação de envelhecimento;
- conflitos conjugais;
- dificuldade em lidar com vulnerabilidade;
- sensação de estar emocionalmente sozinho.
O problema é que muitos aprenderam desde cedo que demonstrar fragilidade seria sinal de fraqueza. Então tentam suportar tudo em silêncio.
Com o tempo, o corpo começa a falar:
- crises de ansiedade;
- aperto no peito;
- irritabilidade;
- dificuldade sexual;
- compulsões;
- excesso de álcool;
- isolamento emocional;
- sensação constante de esgotamento.
A psicanálise não trabalha apenas para “eliminar sintomas”.
Ela busca compreender o que sustenta esse estado interno de pressão permanente.
Muitas vezes, o homem percebe que passou anos tentando corresponder a expectativas:
- ser forte o tempo todo;
- nunca falhar;
- sustentar todos emocionalmente;
- controlar tudo;
- não depender de ninguém.
Mas existe um custo psíquico alto em viver permanentemente armado contra a própria vulnerabilidade.
No tratamento psicanalítico, o homem começa a reconhecer padrões emocionais que antes eram automáticos:
- necessidade excessiva de controle;
- dificuldade em pedir ajuda;
- medo de fracassar;
- autocobrança extrema;
- irritação como defesa emocional;
- dificuldade em acessar os próprios afetos.
A ansiedade, muitas vezes, não é apenas “excesso de preocupação”.
Ela pode ser o sinal de uma vida interna sobrecarregada há muitos anos.
Quando esse sofrimento encontra espaço para ser elaborado, algo começa a mudar:
- a mente desacelera;
- o corpo relaxa;
- as relações se tornam menos tensas;
- o homem deixa de viver apenas no modo sobrevivência.
Buscar análise não significa fraqueza.
Em muitos casos, é justamente o contrário: a capacidade de interromper um padrão de sofrimento silencioso que já dura tempo demais.