Pablo Araya Santander
Você já teve a sensação de que descansar não é suficiente?
Dormir mais, tirar um tempo, se distrair — e, ainda assim, algo continua ali. Um cansaço que não parece físico, mas também não é fácil de explicar.
Para muitos homens, esse tipo de exaustão aparece em silêncio. A rotina segue, as responsabilidades são cumpridas, mas há uma sensação persistente de desgaste.
Nem sempre se trata de “fazer demais”. Às vezes, o que está em jogo é mais difícil de localizar:
- uma cobrança constante que não se interrompe
- a sensação de estar sempre em dívida consigo mesmo
- a dificuldade de se satisfazer, mesmo quando as coisas dão certo
É como se houvesse um esforço contínuo para sustentar algo — sem saber exatamente o quê.
A tendência, nesses casos, é tentar corrigir pelo comportamento: descansar mais, organizar melhor, produzir diferente. Mas nem sempre isso alcança o ponto central.
A psicanálise não se orienta apenas pelo alívio imediato do sintoma, mas pela escuta do que esse cansaço pode estar indicando.
Porque, em alguns casos, não é o corpo que está pedindo descanso — é algo da ordem do desejo que ficou pelo caminho.
Se isso faz sentido para você, talvez valha a pena não responder tão rápido — mas começar a escutar.