Pablo Araya Santander
Nos últimos anos, tornou-se mais visível o aumento de quadros de ansiedade, esgotamento e depressão — especialmente entre homens que sustentam uma posição de responsabilidade e que, muitas vezes, lidam com o sofrimento em silêncio.
Existe uma exigência pouco dita, mas muito presente: dar conta, não falhar, não demonstrar fragilidade. E, aos poucos, isso pode produzir um efeito de isolamento — não pela falta de vínculos, mas pela impossibilidade de se implicar neles de forma mais verdadeira.
No cotidiano, isso pode aparecer como:
- dificuldade de falar sobre o que realmente sente
- sensação de estar sempre “segurando tudo sozinho”
- afastamento emocional, mesmo em relações próximas
- uma espécie de vazio difícil de nomear
Guardar tudo para si pode funcionar, por um tempo, como uma forma de sustentação. Mas também pode ter um custo: o de não encontrar lugar para aquilo que insiste.
A psicanálise não propõe simplesmente “falar mais” ou “se abrir”, mas construir um espaço onde aquilo que não encontra forma possa, aos poucos, ganhar lugar.
Não se trata de eliminar a solidão — mas de não estar sozinho diante dela.
Se algo disso ressoa, talvez exista aí um ponto de início possível.